Mas estas tecnologias não surgem sem precedentes. Pensem nos avanços tecnológicos e técnicos dos últimos 500 anos: a invenção da imprensa, a notação matemática, o avanço da cartografia, a invenção do telescópio, do microscópio, a máquina a vapor, o avião... Estes e tantos outros avanços permitiram não apenas novas experiências do mundo e da realidade, mas ainda um enorme arquivo do saber assim adquirido, que se tornou partilhável e armazenável, para além da mente individual ou do restrito conjunto de mentes numa pequena comunidade. Uma das consequências é um "offload" da memória colectiva em suportes tecnológicos acessíveis, com grande capacidade, mas externos à própria memória individual (ou à memória do grupo, reforçada em tradições de oralidade). Que natureza tem uma memória assim descorporealizada (disembodied)?
E hoje? Dois desafios parecem-me salientes: por um lado, o reforço daquele "offload" de cohecimento armazenado na memória (me mega bytes, giga bytes, tera bytes...); Por outro, o reforço da virtualização (a próxima criação do Google é um sistema operativo em que todos os documentos produzidos não sejam armazenados num desktop, mas num espaço virtual; um pouco como o Scribd, onde armazenámos os nossos textos do curso).
E ainda: a comunicação de hoje é cada vez mais volátil. Onde ficam os registos dos chats? E os mails que se apagam, quando dantes se preservavam as cartas?
Se o tema vos interessa, fica aqui uma sugestão de leitura: Nicholas Carr, The Shallows.
Olá, olá!
ReplyDeleteJá temos blog! :)
Para mim, o difícil é seleccionar a informação e conseguir dirigir a minha atenção para a informação que me interessa, visto que hoje em dia temos acesso a demasiada (será demasiada? Ou será que a nossa capacidade é que é limitada?) informação, demasiados estímulos... da minha parte, há uma vontade enorme de procura de conhecimento, de saber mais, de me manter informada sobre os assuntos que me interessam! Mas sinto que tenho pouco tempo para conseguir "absorver" tudo o que eu gostaria.
Felizmente, a internet é uma ferramenta poderosa que nos fornece (quase) toda a informação que desejamos, mas não é eficaz a seleccioná-la consoante os gostos do utilizador. Pelo que tem de ser o utilizador a gastar tempo a seleccionar a informação, o que retira tempo à parte realmente interessante, que é a parte de "absorver" o conhecimento...
Quanto ao armazenamento de informação, penso que isso depende das pessoas... Eu tenho por habito guardar alguns emails, algumas conversas de chats (do messenger, por exemplo), ficheiros que muitas vezes não vou precisar, mas guardo só para o caso de serem necessários mais tarde. A diferença é que tudo fica armazenado num mundo virtual, electrónico, em bytes, em vez de papel ou outro suporte físico. No entanto, se pensarmos bem, ambos os meios de armazenamento, poderão ser voláteis. O papel queima-se, molha-se, degrada-se com os anos, perde-se no meio de outros. Os bytes podem ser apagados ou modificados, mas até que ponto poderão ser mais ou menos voláteis? Costuma-se dizer que um ficheiro partilhado na net, por exemplo, um vídeo daqueles chamados virais (não por serem perigosos para o utilizador, mas por serem partilhados, distribuidos e visionados incessantemente), jamais desaparecerá da internet, pois haverá sempre forma de o recuperar, mesmo após ser apagado.
Muitas ideias, pouco tempo...
E mais uma leitura interessante para adicionar à lista de livros para ler! :)
OLá a todos!
ReplyDeleteConcordo com algumas afirmações da Cátia no que concerne ao armazenamento de documentos, tanto o papel quanto os suportes tecnológicos são de durabilidade limitada, penso que até haverá mais vantagens no mundo virtual. Quanto à questão da muita informção e estímulos que o nosso cérebro recebe, apesar de haver dados que o confirmam, penso que o que acontece é que recebemos muita informação mas também prestamos atenção aqueles que nos despertam a percepção (dado o tipo de luz, sons, etc)e ignoramos outros estímulos que os nossos antepassados valorizavam (como os cheiros, os sons da natureza, etc).Vivemos num mundo cada vez mais complexo e a nossa atenção desviou-se do mundo natural.Se isto será negativo? Penso que não, mas como tudo tem acontecido a uma velocidade vertiginosa ainda não conseguimos ter uma ideia clara para onde caminhamos.
Um daqueles videos interessantes acerca do que acontece no cérebro quando nos apaixonamos:
ReplyDeletehttp://www.ted.com/talks/lang/por_pt/helen_fisher_studies_the_brain_in_love.html
Olá a todos! :) Que boa surpresa começar a ver as vossas respostas!
ReplyDeleteSim, as vossas observações são pertinentes, de um ponto de vista experiencial. A gestão de informação é hoje o grande desafio.
Quanto ao armazenamento, a multiplicação de recursos é hoje quase assustadora; perder informação é virtualmente impossível, tão depressa ela se reproduz.
De um ponto de vista cognitivo, a questão é esta: será que esta alteração do volume e do acesso ao conhecimento produzirá a médio prazo mudanças na estrutura do próprio cérebro? Na mente produz decerto.
O Prof. Castro Caldas, num estudo recente sobre analfabetismo e literacia, pode constatar que no espaço de uma vida há alterações fisiológicas que se produzem em consequência da aprendizagem (da escrita, neste caso), e em idades avançadas. A neuroplasticidade é evidente, ao nível do indivíduo. Mas podera ela trazer consequências para a espécie?
Merlin Donald descreve 3 grandes estádios de desenvolvimento da mente humana. Enquanto os dois primeiros tiveram alguns milhares de anos de intervalo, o último só se iniciou há pouco mais de 500 anos, com todas as invenções de que falámos. O mundo virtual a que assistimos hoje é só a fase mais recente deste último estádio...
Agora vou ver o vídeo da Paula :)